Saturday, April 28, 2007

Isaurinha

A situação da Isaurinha

Quem não ouviu ainda falar da Isaurinha? Muito se escreveu sobre ela e se mostrou até nas televisões!

Pois hoje voltamos a falar da Isaurinha. E falamos por dois motivos: para manifestar a nossa alegria pelos progressos alcançados na tentativa de se encontrar uma solução para a sua vida, e para dar a conhecer aos que a acompanham a sua situação actual.

Como as peças de um puzzle, também nós fomos ao longo do tempo tentando ajustar os factos que íamos conhecendo da vida da nossa amiga, de modo a podermos saber como e em que é que a poderíamos ajudar. Não é que seja de poucas conversas, como bem sabe quem a conhece, mas porque o que contava de importante aparecia misturado com factos e ditos sem interesse, e porque sempre deixava por contar o que de facto importava conhecer.

A idade era para ela coisa longínqua, as datas deixaram há muito de ser marcos indeléveis e por isso as esqueceu. No meio das conversas lá ia metendo a afirmação de que tinha tido uma pensão de sobrevivência de que nem sabia o destino, e nada mais! Bem se tentava encontrar o início daquela meada mas sempre se desistia por um ou por outro motivo, e a situação da Isaurinha continuava dependente da pura caridade dos seus amigos.

Até Terça-feira, dia 24 deste mês. De tentativa em tentativa, ultrapassadas as informações negativas quanto à sua identificação na Segurança Social, a solução surgiu como verdadeiro ovo de Colombo num simples contacto para a Junta de Freguesia da sua anterior residência. E, ao fim de três horas e meia obtinham-se mais informações do que as solicitadas!

Neste momento está já identificada na SS, estão em curso as diligências para obtenção do BI e restantes documentos de identificação, a SS já está a acompanhar o seu caso ao mais alto nível…

Ainda não está completamente apurado mas, segundo o que consta na SS a Isaurinha apenas tem a idade de 72 anos, tendo nascido em 2 de Agosto de 1934. E é sem-abrigo desde 1981!…

Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance para que a vontade da Isaurinha em não ir para um Lar seja respeitada, procurando outras formas de apoio mais adequadas à sua vida.

Entretanto, irá continuar a precisar do apoio dos seus amigos, da companhia de quem lhe quer bem, de auxiliares nos cuidados de higiene pessoal, de quem a ajude na organização do seu guarda-roupa…

Mas, ainda que se mantenha vulnerável, dentro em breve poderemos ver a Isaurinha com direitos de cidadã, longe dos tempos em que se remetia, como seu único refúgio, ao silêncio da noite breve sob as arcadas do Stº. António, ou mais resguardada na casa abandonada do Carregal…

Ao longo dos seus 26 anos de rua, contou com o apoio das diversas equipas que nunca a deixaram sozinha e que sempre porfiaram na tentativa de lhe conseguirem um melhor apoio social. Mas quis Deus confiar aos seus mais pequeninos esta Graça final, àqueles que ainda há dias se confessavam neste mesmo blog como sendo poucos, pequenos e pobres!…

Por tudo, damos muitas Graças e Louvores a Deus.

Grucoa

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Monday, April 16, 2007

Saída da Páscoa de 2007

A Rua em Abril…

Preparava-se uma saída a cheirar a Páscoa, mas, como diz o ditado, “o homem põe e Deus dispõe”.

As festas às vezes põem a cabeça à roda, as férias mudam os azimutes, e as falhas surgem.

Foi o que nos aconteceu: falharam sandes de um lado porque as férias pascais desviaram pessoas para a aldeia na Beira, falharam sobras nas confeitarias por esquecimento.

Foi com sandes reduzidas a dois terços e bolos e salgados muito diminuídos que saímos à rua.

Compromissos também impediram outros de comparecerem e só dois aparecemos à hora da partida.

Desta vez a Ald  tinha preparado carinhosamente cachorros que ainda estavam meio quentes à hora da partida, e dispusemos as sandes de queijo e de fiambre, o sumo de laranja e limão em três garrafões, alguns salgados e doces que ainda se conseguiram reunir à última hora, um bolo-rei, o resto de uma bola de carne, e laranjas para distribuir. Partilha de pobres para pobres.

Juntámos as roupas dentro do carro para não atrapalhar. Roupa de homem, senhora e criança, e dois cobertores.

Como de costume, após termos organizado tudo quanto levávamos fizemos a nossa oração de partida e lemos a passagem da primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios, 15 - 1, sobre a Ressurreição dos mortos, que a Ald tirou à sorte. Veio mesmo a propósito nesta Quadra Pascal.

Foi com esta palavra que começámos pela Boavista onde só estava um por mero acaso. Mas com fome. Ao nosso convite de acreditar para mudar mostrou-se incapaz de balbuciar uma palavra que fosse da jaculatória que a Ald se esforçava por lhe ensinar.

Porque àquela hora não havia ninguém em J.Dinis, seguimos para a Câmara.

Aqui foi o corropio do costume: a aproximação iniciou-se logo com meia dúzia e engrossou à medida que iam dando conta da nossa chegada. Os salgados, que desta vez eram poucos, foram num instante, e os croissants e folhados diminuiam nas caixas. Mesmo as sandes já deixavam ver o fundo dos sacos, e os 15 litros de sumo natural de laranja e limão sumiram-se, copo a copo… Ainda bem!

A ordem imperava, havia tempo para uma palavra quando parecia oportuna ou necessária. E, terminada a afluência, fomos fazer uma visita à Isaurinha. Lá estava ela e, quando nos viu, fez-nos a habitual festa.

- Sentem-se aqui que agora estou limpinha!… Foram as “Senhoras”, vieram cá ontem e voltam na Sexta-feira! Ora cheguem aqui, não cheiro bem?

E insistia, e dava beijos, agarrava-nos as mãos… Tão agradecida a todos! Levámos nós uma roda de beijos e abraços à conta de tantos que lhe fazem bem e por quem ela está agora ali tão bem tratadinha!

E gabava as mãos que lhe dão banho, que cuidam dela todas semanas sempre com o mesmo carinho, com a mesma devoção.

Já vínhamos na porta e insistiu em nos dar mais um beijinho, bem repenicado…

Deixou-nos o recado, mais uma vez:

- Não demorem tanto a vir…

Vamos tentar ser mais assíduos. Mas como sabemos que vai estando bem acompanhada ao longo da semana não temos levado em devida conta os seus apelos. Pelos vistos, sem fazer selecção de pessoas, mais visitas não lhe fazem mal. Quer ver-se acompanhada e acarinhada e não admira. São carinhos muito, muito, mas mesmo muito atrasados de que quer tirar a desforra! E não tem direito a isso?

Pouco nos restava. Dentro do carro sobravam duas sandes que ali ficaram esquecidas quando o destinatário não apareceu, bastante roupa, laranjas, e uns quantos croissants na mala. Decidimos ir levar aqueles restos ao Aleixo. À passagem na Boavista surgiu-nos mais um com fome e ali ficou a primeira sande e alguns croissants. À entrada do Aleixo a B. R., encurvada na sua cadeirinha, espelhava necessidade de tudo o que é bom. Sorriu quando lhe dissemos que ainda tínhamos alguma coisa para ela e disse que ia ter connosco. Como demorou a aparecer pegámos num saquinho e fomos levar-lho. Tinha fome e começou logo a comer. Pediu-nos um cobertor porque tinha frio. Escolhemos o mais quentinho e aconchegámo-la com ele. Conversámos um pouco e ali a deixámos a penar as suas carências no eixo da via. Vinte e cinco anos de uma vida: que futuro?

Descemos ao Aleixo e o pouco que ainda tínhamos depressa desapareceu.

Deixámos aquelo corropio de caras conhecidas e de caras novas perguntando a nós próprios como é possível que, sendo por demais conhecido e visível o efeito destruidor da droga, apareçam todos os dias novos “clientes” e novas vítimas incautas deste flagelo moral, familiar e social. Faz-nos lembrar o desastre das barcas: afogam-se os da frente enquanto os de trás os vão empurrando e, sem se aperceberem, se aproximam também eles do momento fatal…

E foi com este pensamento que, na oração final rezámos por todos eles e por aqueles que já cá não estão, sumidos na voracidade da roda em que, incautamente, um dia entraram.

Que Deus os guarde a todos!

Grucoa

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Saturday, April 7, 2007

PÁSCOA!…

Estamos na Páscoa.

Preparamo-nos para comemorar o  maior acontecimento  da história do Homem à face da Terra: a nossa Redenção pelo sacrifício da vida de um só, da vida de Cristo.

É a comemoração da vitória do Bem sobre o Mal, do Amor sobre o Ódio, da Graça sobre o Pecado, da Vida sobre a Morte.

A nossa Redenção, que teve início no Natal, com o nascimento de Jesus, culminou na Sexta-feira Santa com a Sua entrega total por nós, e continuou na PÁSCOA em que, Ressuscitando, nos demonstrou que a vida continua mesmo para além da morte terrena…

É a Ressurreição de Jesus que dá sentido à nossa vida, à nossa Fé.

Por isso este dia é motivo de grande alegria para todos: festejamos nele o nosso direito de entrada na esfera do Amor divino por obra e Graça de Jesus, da Sua Encarnação, do Seu Nascimento, da Sua Paixão, da Sua Morte e da Sua Ressurreição, enfim, da demonstração do Seu grande Amor, da Sua doação gratuita, correndo o risco da sua não retribuição… e até da Sua sujeição ao esquecimento, à ignorância, ao desprezo, à rejeição, ao escárnio, à ofensa!…

Venceu a Morte, o Pecado, o Mal…

Abriu-nos as portas do Seu Reino…

E esta Páscoa é especial pois que Católicos e Ortodoxos a celebram no mesmo dia. 


Que o sentimento de gratidão a Cristo prevaleça sobre as amêndoas e os folares e que estes sirvam para manifestarmos a nossa alegria pela Redenção, e para nos recordar que Jesus veio para nos dar VIDA, e VIDA EM ABUNDÂNCIA, com alegria!


Uma PÁSCOA SANTA para todos!

     www.Grucoa.blog.com

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Saída da Páscoa

PÁSCOA

É na próxima Quarta-feira que voltaremos às ruas do Porto. Realiza-se em plena época festiva da Páscoa e ainda sob os efeitos da emoção da partida do Rui Fernando.

Apanhou-nos um pouco de surpresa porque a última vez que o visitámos estava muito melhor e parecia que iria recuperar. Já lhe tinham retirado a sonda e o soro que o alimentavam, falava um pouco e zangava-se com as insistências da mãe. Dizia que iria a Fátima em Maio. Deve ter ido mais cedo ainda porque se ele amava Nossa Senhora, Nossa Senhora não o esqueceu.

Não o pudemos acompanhar no último momento mas teve as orações de todo o grupo no Caminho de Santiago, e a sua intenção esteve presente nas Missas, no percurso e na grande Catedral.

Tocou-nos o sentimento de amizade e as lágrimas do F. Pinto, sua visita quase diária ao hospital.

Esta pequena nota introdutória pretende dar ao Rui Fernando o destaque que sempre mereceu entre os demais amigos que sempre nos esperavam com uma ansiedade e com um sorriso de gratidão.

Foi ele que um dia nos disse:

- Mesmo que não tragam nada, venham conversar connosco que isso nos basta!…

Com tão pouco se contentava!

Era altruísta com os companheiros, um dos nossos melhores amigos, e um devoto de Maria, tendo peregrinado a pé a Fátima ainda o ano passado num grupo organizado por outro dos nossos grandes amigos, o dr. H..

Por tudo quanto de mal passou e por tudo quanto de bom fez, que Deus tenha misericórdia das suas faltas e o tenha junto a Si. Paz à sua alma.

É Páscoa. Na Quarta-feira vamos preparar o que de melhor pudermos para distribuir pelos amigos que nos esperam e não nos esquecem.

Como de costume, cada qual levará o que entender, dando prioridade às sandes. Para aquisição do pão temos ainda a verba de €90,00, pois que da última vez só se gastaram €10,00.

Vamos procurar levar amêndoas como o ano passado.

O local e hora de partida mantêm-se.

Um abraço a todos.

Grucoa

 

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